Kiki
Para mim, um gato não é apenas um gato. É um ser vivo que merece respeito. Não compartilho da ideia arrogante de que um certo criador resolveu fazer um universo enorme apenas para nós, de que tudo o que existe na natureza são apenas recursos que temos o direito de explorar ao nosso bel-prazer, por uma espécie de mandato divino. Que mandato divino é esse? Nada mais do que um meticuloso mecanismo desenhado para gerar certas estruturas de controle e de exceção – um mecanismo que garante a sobrevivência de certas ordens, mesmo apesar de grandes transformações históricas. Um mecanismo, enfim, que sobrevive às próprias mudanças na concepção de cosmos e de natureza.
A Revolução Científica, nesse sentido, não foi o início da visão antropocêntrica e da deterioração da relação entre as sociedades humanas e o restante da natureza. Claro, o surgimento de novas técnicas e mecanismos de controle forneceu todo um arsenal que resultou na instrumentalização da ciência. Mas, por trás disso tudo, há algo mais profundo. Algo que sobreviveu às transformações do século XVI e que, posteriormente, sobreviveu inclusive ao racionalismo iluminista. Esse fator mais profundo é a crença na superioridade absoluta do ser humano: seja pela capacidade racional de investigar e inventar meios de controlar a natureza, adaptando o seu meio a ele, ao invés de adaptando-se ao meio, ou seja por historinhas a respeito de uma hierarquia entre o criador e a criação, na qual o homem ocupa uma confortável – e muito conveniente – posição intermediária.
Esse antropocentrismo orienta para a utilização indiscriminada de recursos naturais. E, mesmo quando falam em “desenvolvimento sustentável”, o foco continua sendo, na maior parte das vezes, o ser humano, e não a harmonização, a busca pelo equilíbrio. Esse antropocentrismo, seja pela ideologização da razão (racionalismo), seja pela superstição religiosa (que ainda sobrevive!), tem como resultado o tratamento arrogante que damos às espécies animais não-humanas. Touradas para o prazer de um bando de ignorantes que sentem delírios quase orgásticos quando testemunham o “espetáculo” de um touro sendo massacrado lentamente na arena. Caça indiscriminada. Gorilas sendo utilizados, em regiões da África, como alvos para treinamento de guerrilheiros. Militantes estrangeiros que, no sul do Chile, no início da década de 1970, praticavam tiro ao alvo em cachorros. Tudo isso e muito mais, sem contar as atrocidades que testemunhamos em nosso cotidiano mais imediato: abandono de animais, maus tratos, imbecis degenerados que se divertem jogando milho no meio de avenidas movimentadas apenas para terem o prazer de ver um monte de pombos morrendo atropelados e assim por diante.
Isso tudo é maldade, pura e simples. É mal absoluto, por mais que torções linguísticas tentem relativizá-lo. Qualquer explição que tente eliminar ou minimizar a culpa dessas aberrações monstruosas que ocupam a pele de humanos é pura hipocrisia. Não vou falar em natureza humana, em um elemento de maldade presente na genética de toda a nossa espécie. Isso seria uma generalização descabida. Mas não tenho dúvidas de que há um forte fator cultural e que esse fator tem sido alimentado pela concepção (que não é comum a todas as sociedades humanas) de que todos os animais foram criados para que façamos com eles o que nós desejamos, já que eles estão mais distantes de “deus” e, nós, muito convenientemente, mais próximos.
Esse antropocentrismo está na origem de muitos males. Está na afirmação de um certo tipo de subjetividade. Está no desenho de diversas instituições políticas. Está presente nas discussões contemporâneas sobre as questões ambientais. É um antropocentrismo que ganhou fundamentação teológica há muitos e muitos séculos, há milênios, e que, como um verdadeiro câncer, tem gerado metástases que passam imperceptíveis até para os defensores da separação igreja x Estado. Essa visão antropocêntrica continuará emperrando qualquer iniciativa de cooperação internacional referente aos problemas ambientais da atualidade. É uma visão que continuará fazendo vítimas inocentes por todo o mundo. Sim, é um câncer, uma doença. E se esse câncer, se essa doença tiver realmente origem em um deus vingativo que, para manifestar seu poder, resolve castigar um homem que perde a fé descontado em um bichinho inocente, fazendo um animalzinho agonizar e morrer, então esse é um deus que não merece o meu respeito. Prefiro deixar essa questão em aberto, através de um saudável agnosticismo, e concentrar-me mais na arrogância humana como a origem desse câncer.
Podemos ter racionalidade, podemos ter a capacidade de investigar sobre o mundo e a natureza, sobre as células e sobre o cosmos… Mas será que realmente *aprendemos* alguma coisa, já que continuamos repetindo um erro atrás do outro? Somos apenas mais uma espécie animal que habita este planeta. Uma espécie entre muitas. A nossa racionalidade e inventividade compensam nossa falta de força física, nossa falta de resistência ao frio e calor extremos, nossa ridícula estrutura muscular. Mas somos apenas mais uma espécie animal e, se acreditamos que somos “melhores”, bom, pelo menos que essa crença não decorra de delírios religiosos, superstições e outros contos da carochina. Temos, sim, o potencial para melhorar. Porém só o desenvolveremos quando assumirmos nossa responsabilidade, quando abandonarmos a lógica da competição a todo custo, quando tivermos uma preocupação real com a importância de harmonizar a relação entre as sociedades humanas e o ambiente natural não-humano. Isso requer cooperação, colaboração, diálogo. Isso requer abandonar os paroquialismos infantis e começar a estabelecer conversas entre as ciências humanas/sociais e as naturais. Isso requer deixar de lado intermináveis brigas epistemológicas e buscar pontos de interseção que podem dar bons frutos. Finalmente, isso requer abandonar o racionalismo ingênuo (que é uma ideologia), o cientificismo (que confere autoridade praticamente dogmática à ciência) e resgatar a razão, o ceticismo saudável, o pensamento crítico e a curiosidade investigativa.
Na segunda-feira, dia 01 de fevereiro, às 20:00h, perdi a minha gatinha Kiki. Não nego que este post tem uma forte carga emotiva, por causa do momento, mas esclareço que venho pensando nessas questões há bastante tempo. Não tenho mais a minha amiga, a minha gatinha companheira, nunca mais vou ouvir o seu miado, nunca mais vou sentir a patinha dela encostando na minha perna para pedir água ou comida. Ela se foi e, com ela, uma grande parte da minha alegria. Apesar de eu ainda não querer acreditar, sei que ela não está mais comigo. Sinto muita falta dela e sei que sempre vou sentir essa falta, esse vazio. Porque foi uma gatinha sempre muito amada, muito querida. Um certo imbecil, defensor das liberdades individuais, adepto dessa esquizofrênica auto-intitulada direita liberal-conservadora judaico-cristã, certa vez comentou em um antigo blog meu, sugerindo que uma certa instituição teria todo o “direito”, pelo princípio “sagrado” da propriedade privada, de fazer o que quisesse com os animais abandonados no campus dessa instituição (inclusive envenená-los). Esse excremento humano jamais conseguiria entender o que estou sentindo pela perda da Kiki. Porque indivíduos assim não têm a capacidade de compreender sentimentos humanos se não for através de uma lente embrutecida por ideologias perversas. Pessoas assim, que me provocam um profundo nojo, mostram apenas que não conseguem raciocinar a não ser em termos de cálculos mercadológicos e supertições religiosas atrasadas que sustentam um determinado conceito fajuto de propriedade – um conceito em nome do qual diversas atrocidades têm sido justificadas. Pessoas que tiveram seus cérebros lavados dessa maneira e que tratam animais como meros objetos criados por um suposto deus para que façamos com eles o que bem quisermos merecem apenas o meu desprezo. Aliás, merecem coisa muito pior, mas aí entro no terreno do impublicável.
Felizmente, quero distância de gente assim, de pessoas que colocam a militância acima da investigação honesta, de pessoas que subjugam todas as formas de vida – inclusive as humanas – às dinâmicas do mercado. O mesmo se aplica aos que defendem a compatibilidade entre essas ideologias e o foco na pessoa humana, porque no fim das contas essa posição esconde (de maneira inclusive mais hipócrita) o mesmo antropocentrismo, o mesmo umbiguismo, o mesmo ideologismo superficial e barato, a mesma crença supersticiosa em que tudo o que existe tem por finalidade e por vontade divina satisfazer os desejos dos seres humanos, privilegiados hierarquicamente em uma pretensa criação. Esclareço logo que esse privilégio não decorre, nessas ideologias doentias, de processos de adaptação e engenhosidade ao longo de milhões de anos. Isso seria um pouco mais palatável (porém incorreto em termos evolutivos e científicos, por misturar um juízo de valor com um processo biológico e por conferir um sentido progressivo à evolução, o que é uma distorção infeliz do darwinismo). Essa ideia antropocêntrica decorre, a meu ver principalmente, de uma complexa e elaborada teologia política.
A Kiki sempre me deu muita alegria com o jeitinho dela. Sempre foi amiga, companheira, fiel. Muito ao contrário do bando de gente falsa que conheci durante a minha vida. Prezo e respeito muito mais a Kiki e outros animais do que certos aproveitadores, falsos gurus egocêntricos e ongueiros baratos que propagam as suas ideologias de morte e perversão, enganando, mentindo, manipulando e aprimorando a falsidade e a malandragem. A malandragem e a esperteza, por sinal, são as armas dos incompetentes. Cometi muitos e muitos erros na minha vida, mas tenho certeza de ter cometido um grandioso acerto: ter aberto meus olhos a toda a podridão que essas pessoas e seus movimentos representam.
Este post está inflamado, eu sei. O momento é de dor, mas, repito, tenho ponderado sobre o que estou escrevendo há muitos meses, aliás, há alguns anos. Se escrevo só agora é porque sei que devo isso à Kiki. Devo a ela, por tudo o que ela me deu de alegria, pelo privilégio que tive por ela ter me aceitado durante sete anos. A minha homenagem à minha amada Kiki é justamente deixar claro que sempre vou me opor a toda a perversão que sustenta um determinado modo de pensar, infelizmente muito difundido ainda na atualidade. Porque a Kiki teve uma vida boa comigo, nunca deixei que lhe faltasse nada, sempre lhe dei muito carinho, muito amor. Ela foi uma gatinha muito querida, que teve um bom lar, ao invés de ter morrido espancada ou evenenada por idiotas que pensam tal como o dejeto humano que mencionei alguns parágrafos acima. Mas há muitos outros animais sofrendo maus tratos, sendo abandonados todos os dias, sendo envenenados por criminosos covardes que confiam na impunidade endêmica que caracteriza estas tristes latitudes. Nunca vou deixar de me opor a tudo isso. Nunca vou deixar de estudar e denunciar como o processo de constituição do sujeito moderno, como a formação da modernidade política, carrega em seu bojo essa arrogância antropocêntrica que causa tanta dor e sofrimento. Eu devo isso à Kiki. Ela não foi apenas uma gata. Foi uma amiga. Uma amiga fiel e sincera. Nunca foi falsa, como muitas pessoas que se aproximam oferecendo projetos e promessas mirabolantes mas que, na verdade, destilam pura falsidade e hipocrisia por todos os poros.
Sinto saudades da Kiki. Sempre sentirei. Descanse em paz, minha amada amiguinha. Você sempre foi muito especial e sempre significará muito para mim. Aprendi muito mais com você do que com tanta gentalha metida a intelectual que serve apenas para espalhar mais podridão, morte e desespero pelo mundo. Você, Kiki, sempre foi muito melhor do que muita gente. Tenho certeza disso. Obrigado pelo privilégio de ter convivido com você por sete anos.

Também não vou dizer o que quase todo mundo diz, Claudio. As pessoas dizem que temos que nos conformar, realmente temos, contra a morte não há nada a ser feito, mas chore a sua perda e não acho que “se conformar” seja a palavra adequada.
Vi um documentário sobre a criação do universo, e do que provavelmente fomos feito. A única coisa que talvez me mantenha em pé seja acreditar na ciência, que um dia todos nós viramos “dust in the wind”… E que obedecemos a certas leis. Não sei o que as criou, não sei se a explicação cabe à inteligência humana amigo, talvez não. Não imagino se existe algo a ser criado e se criar é um fato. Não sei se nossa lógica é a lógica do universo.
Mas de tudo isso o que quero dizer é que sei que a dor não passa, mas kiki continua entre nós. Nenhuma matéria entra e sai da terra. Temos amesma quantidade de energia do começo de nossa criação. Então ela ainda faz parte de nossa vida. E faz parte de algo ainda mais importante, algo que aí sim te faz diferente, e diferente até dos de sua mesma espécie, o amor que você sente por ela. Quem consegue amar um gato é porque ama muito mais. Isso é importante em um mundo como o nosso.
Compartilho da sua dor, acho que perder um animal é como perder um parente. Dói muito mesmo.
Beijos
Marcela
Obrigado, Marcela. É por isso que acredito ser muita arrogância e miopia intelectual acreditar que só existe uma lógica e que ela tem validade universal. É uma lógica muito conveniente, sem dúvida, e que anda de mãos dadas com uma visão realista ingênua do século XVIII.
Estou de acordo com Carl Sagan: não somos mais do que poeira de estrelas.
Beijos!
C.
Quando perdi a Pretinha, em 99, também chorei muito. Hoje tenho 5 gatos muito amados. A mais velha, Tigresa, tem 16 e já está doente. Sei que não vai ficar conosco por muito tempo.
Também acho um absurdo mau tratar animais. E sou contra a eutanásia contra eles.
Beijos.
Tem gente que pede eutanásia até porque o gato está com uma unha encravada. Considero isso o fim da picada. Não tenho ainda opinião 100% formada quanto à eutanásia de animais, porém considero que o mínimo que eles merecem é assistência para não sofrer. Quando a Kiki começou a agonizar, porque estava sufocando, o vet. arriscou uma sedação. Não foi eutanásia, foi uma última tentativa de salvá-la, a última chance e a única coisa que podia ser feita naquele momento para que ela não sofresse. Com a sedação e oxigênio, ela normalizou a respiração, a agonia passou e teve mais uma chance, sem sofrimento. Ficou mais duas horas conosco, relaxada, sem dor. O risco seria quando o efeito do sedativo pasasse, aí ela podia morrer. Infelizmente, foi o que aconteceu, ela não conseguiu respirar sozinha.
Muito bom. Apenas você se esqueceu de citar uma das vertentes de abuso de poder com relação aos animais não-humanos, poder apenas pressuposto dentro do regime especista antropocêntrico que o ser humano usa para justificar seus crimes e barbáries: o uso dos animais na alimentação. A criação de uma gigantesca e superpoderosa indústria da morte, onde todos os dias animais são mutilados, onde são retirados direitos básicos de qualquer animal (como mover-se, abrir as asas, ter seus bicos intactos, beber o leite da mãe), apenas para a satisfação de um capricho. Sim, um capricho. Não precisamos de carne para viver, e a medicina antiquada e vendida que prega isso é cientificamente irresponsável. O nosso poder para decidir sobre a vida ou a morte nos abates, a indiferença pelo pânico do boi, pelos guinchos horrorizados do porco, dos balidos dos cordeiros, dos gritos dos frangos, tudo feito em série e na maior e inconcebível frieza… o que nos remete ao Holocausto judeu pelos nazistas. Tratamos os animais em campos de concentração num regime de horror, para a morte certa e triste. Muitos se ofendem com esta comparação, li no “A Vida dos Animais”, de J. Coetzee, a manifestação de um poeta indignado com esta afirmação de que se os judeus foram tratados como gado, o gado é tratado como os judeus naquele horror, e isso supostamente desrespeita a memória dos mortos. De fato, não desrespeita. Porque assumir que o tratamento dado a seres humanos naquele tempo pelos alemães é inconcebível e horrendo serve para alertar e sensibilizar as pessoas com relação ao tratamento horrendo e inconcebível dado aos animais, nossos irmãos, nos campos de morte que são as fazendas industriais. Não somos superiores a eles para podermos dizer: ser tratado como gado, como se isso fosse uma condição menor. Somos irmãos. Se eles não sabem matemática ou não sabem criar remédios e vacinas, se não sabem escrever ou falar, nada se prova contra seus estados de filhos da Natureza com o mesmo direito à vida que nós.
A propósito, sou a favor da eutanásia em animais sim, assim como sou a favor da eutanásia em humanos, nas condições de doença terminal com grande sofrimento (um dos meus gatos é leucêmico e já me descreveram as condições finais de um animal com esta doença… não quero vê-lo com o pulmão cheio de líquido sufocando até morrer, lentamente), ou estado vegetativo. Eutanásia não é para tratar o animal como um objeto. Mas dar a ele/ela a dignidade de nosso melhor amigo.
Belo texto, Claudio.
“Finalmente, isso requer abandonar o racionalismo ingênuo (que é uma ideologia), o cientificismo (que confere autoridade praticamente dogmática à ciência) e resgatar a razão, o ceticismo saudável, o pensamento crítico e a curiosidade investigativa.”
Precisamos muito disso… precisamos também de empatia. A racionalidade pura e simples, abstrata e egocêntrica não pode provar que não devemos tratar os outros animais como meros coadjuvantes nesse mundo, ou como objetos, como a muitos fazem. Precisamos aprender o básico, sentir a dor do outro, olhar um cachorro na chuva nos olhos, olhar um gato abandonado nos olhos, e mais… porque isso é fácil. Estes são animais de companhia. Precisamos aprender a olhar nos olhos também bois, porcos, galinhas, peixes, passarinhos. Sentir sua dor, sentir suas presenças e sentir a empatia por um ser que, como disse Coetzee, “participa conosco do substrato da vida.” Independentemente de ele ser fofinho ou feio, inteligente para os nossos padrões ou apáticos. Eles estão vivos.
O que dizer de um bastardo que maltrata ou assassina um cão, um gato? Merece a mesma pena de um assassino de crianças. A lei brasileira prevê no máximo 1 ano de detenção para um doente que mata um cachorro a paulada ou queima um gato vivo.
Esse é o país de quinta classe em que moramos.
Eu sou sempre inflamada no que tange aos animais, Claudio. Peço desculpas se me excedo, mas não posso me acostumar com a apatia e antropocentrismo bárbaro que guia com naturalidade a vida das pessoas e das instituições. Também prefiro a companhia e o carinho dos meus gatinhos. Eles são simples, não são egocêntricos, são suaves e misteriosos. Não acredito em Deus, mas acredito que os gatos têm conexão direta com o divino. Va savoir. :)
Obrigada pela oportunidade em refletir com você sobre esta causa que me é tão cara.
Sim, Cecilia. Empatia. Isso requer repensar a relação Self/Outro para, ao invés de sustentar uma lógica de competição, criar as condições da complementariedade e do intercâmbio de experiências. Requer aprender a colocar-se no lugar do outro para, com os olhos do outro, podermos olhar para nós mesmos. É por isso que defendo que Leibniz oferece uma ontologia muito mais sofisticada (relacional) do que o misticismo newtoniano que muita gente acredita ser o único caminho para fazer ciência.
Não peça desculpas, pode exceder-se à vontade. Estas reflexões são mais do que importantes, são cruciais no momento em que estamos. Obrigado pela sua contribuição!
Com relação ao fato de que não precisamos comer carne, isso não é bem verdade. Um atleta, que treina a exaustão, precisa sim. Tudo depende de suas necessidades. O que não pode é o exagero, como nas churrascarias, que ainda colocam o boi rindo na propaganda.
Não que eu seja a favor de que os animais sejam tratados da forma que o são. Muito pelo contrário. Uma vez estive em uma fazenda e testemunhei o horror que o gado sente ao homem.
Ainda com relação à eutanásia, por mais que esteja sofrendo muito, o animal talvez não queira morrer. Não dá para saber a opinião dele.
Já há pesquisas em andamento com o objetivo produzir carne em laboratório, a partir de células-tronco. Acredito que teremos boas novidades nos próximos anos.
Claudio, sei bem a dor que está sentindo…
Ano passado tb sofri muito com a morte do meu mais amado cão, ele esteve comigo por 16 anos e já era muito mais que um bicho de estimação, ele foi meu amigo, meu irmão, meu confidente, meu companheiro, mas, infelizmente, ele ficou velhinho e cheio de problemas, então o vet aconselhou que deixássemos ele ir…mas até agora me pergunto se foi a hora certa, se não deveríamos ter esperado mais…
Assim como vc ainda não tenho uma opinião 100% formada com relação à eutanásia e sofro bastante quando penso que ele ainda poderia estar comigo, mas, infelizmente, esse vazio que sentimos não passa nunca, com o tempo, ele apenas diminui, mas nunca acaba! Só nos restam as boas lembranças e os doces momentos que compartilhamos e jamais iremos esquecer, nossa memória não se apaga, portanto, ela sempre estará com vc!
Quanto ao texto, sensacional! Adorei!
Beijos
Só sete anos? Do que ela morreu, Claudio? Eu tenho um entendimento bem diferente da maioria a respeito do que estamos fazendo na Terra e com a Terra. Mas o momento não é para isso, o momento é para lamentar pela perda da Kiki e te dizer que, puxa, não tem nada que nos console nessas horas. Não gaste seu tempo e energia se indignando contra esses pensamentos tacanhos de gente sem cérebro. O melhor a fazer é tentar, de uma forma clara a objetiva, esclarecer aos realmente bem-intencionados. Por enquanto, nem isso. Acredito que os gatos tenham seus lugares garantidos no céu, e a Kiki está lá no céu dos gatinhos, onde não tem sofrimento, nem dor, nem maldade, nem psicopatas.
Beijos e fique bem. Ainda existe gente boa no mundo.
Oi Van!
Sim, o momento é esse. E eu lamento demais, demais mesmo. Lamento porque ela confiou em mim, olhou para mim com seus lindos olhos verdes, pedindo ajuda, sem saber o que estava acontecendo, enquanto sufocava lentamente, e eu falhei com ela. Falhei e nada pude fazer para salvá-la, nada pude fazer, e ela se foi. Agora sinto falta dela o tempo todo. Hoje fui ao tumulozinho dela, fiquei lá um tempinho, mas só senti vazio, falta, saudades… Há pouco mais de uma semana, ela estava aqui, comigo, uma gatinha feliz. Sinto tanta falta dela, tanta falta… O que aconteceu? Ninguém sabe. Uma crise renal, havia alteração nos rins. Mas por que ela descompensou tão rápido, ninguém sabe.
A irmã dela, com níveis muito piores de uréia (430) e creatinina (19.3), sobreviveu, está se recuperando, mas a Kiki… eu não sei o que aconteceu, não tenho respostas. Talvez um pico de hipertensão que provocou um AVC e afetou a parte respiratória, é o mais provável. Ou talvez um tumor de hipófise. Talvez as duas coisas juntas. Havia uma alteração renal, mas nada muito significativo, nada que levasse a óbito tão rápido. No domingo ela estava ótima, comendo sozinha, interagindo com todos como sempre, feliz, alerta, espertinha… e na segunda acordou prostrada, com a respiração difícil, piorando cada vez mais, sem coordenação. Não temos uma resposta, nunca teremos. Mas o fato é que ela se foi, ela confiou em mim e eu me sinto horrível por ter falhado, por não ter conseguido fazer nada para salvá-la. Espero que ela esteja bem, por mais difícil que seja para mim acreditar em algo “além”. Ela merece isso. Sim, ainda há gente boa neste mundo, quero acreditar nisso, mas está sendo difícil. Muito difícil.
@Juliana
Juliana, é verdade sim que não precisamos de carne, e há escolas de medicina, não uma única postura que esteja correta. Digo isso porque sempre fomos doutrinados com relação à suposta necessidade da proteína animal, mas há algumas poucas décadas uma nova postura e novas pesquisas apontam como um grave erro a conclusão dessa necessidade por parte do organismo humano. Nossa dentição e fisiologia do sistema digestivo não tem qualquer semelhança digna de nota com os dos carnívoros, e uma análise não tão cuidadosa leva rapidamente a concluir que somos muito próximos dos herbívoros em vários quesitos. Atletas? Há uma razoável lista de atletas conhecidos que sempre ou desde bastante tempo mantêm ou mantiveram uma dieta exclusivamente vegetariana: entre eles, Andreas Cahling, famoso fisiculturista sueco, Carl Lewis, corredor norte-americanos, Éder Jofre, lutador de boxe brasileiro. Mais aqui:
http://www.vidavegetariana.com/site/especiais.php?page=especiais/atletas/atletas
As pessoas não estão informadas dessas coisas, por isso o engodo do pensamento carnivorista com relação às necessidades do corpo humano continua.