Democratismo das opiniões
É incrível como muitas pessoas acreditam que “ter opinião” é suficiente. Lutam pelas suas opiniões como se fossem sagradas, sem dar-se minimamente ao trabalho de sustentá-las com evidências ou argumentos.
Se uma pessoa afirma “eu acho X” e outra pessoa afirma “eu acho Y”, por mais que X e Y sejam incompatíveis, isso não importa: o democratismo (democracia ideologizada em valor) é suficiente para colocar essas duas pessoas em pé de igualdade. Dizer por dizer, isso é o que importa. A sociedade valoriza opiniões vazias pelo mero fato de serem opiniões – não importando se são absurdos lógicos ou se não correspondem a nada que possa existir na realidade.
Vale, portanto, a regra de que todas as opiniões têm de ser respeitadas. Criticar a opinião de alguém é, na prática, um insulto que fere a sensibilidade politicamente correta. Se existe algum critério para comparar opiniões, é a ditadura do senso comum: o que valida uma dada proposição é a concordância da maioria. Mesmo assim, celebrar a pluralidade é mais importante do que acumular conhecimento a respeito de algum assunto. Vivemos em uma época na qual pode-se falar de tudo sem saber de nada, e com autoridade.
Assim, se você “acha” que o Teorema de Pitágoras não é verdadeiro, é seu direito; ou, se você “acha” que porcos podem aprender a voar, isso também é seu direito. Aproveite! A ignorância é de graça!

