Posições
Hoje senti a necessidade de pensar sobre minhas posições filosóficas. Não me considero materialista e não defendo a “concretude das certezas”, dado que o próprio conceito de matéria está sujeito a revisões constantes e a sensação de concretude não passa de uma ilusão confortável (sabemos que, em qualquer objeto, existe muito mais espaço vazio do que “matéria sólida”, o que coloca mais uma vez em evidência a pobreza de qualquer filosofia baseada no senso comum).
Mas, apesar de não me considerar materialista, a versão mais sofisticada do materialismo, que é o fisicalismo, é bastante agradável para mim. Considero que estamos sujeitos às leis da natureza e da biologia. Em grande parte, nossas pretensas “ações intencionais” não passam de retórica onanística sobre a nossa própria bioquímica. Assim, a tão famosa “construção social da realidade social” torna-se um grande exercício de auto-convencimento, realizado a posteriori, sobre processos de evolução adaptativa.
Por economia de variáveis, rejeito o dualismo e abraço o monismo. Também rejeito todo tipo de essencialismo, por ser incompatível com o fato da evolução. Apesar de considerar que obedecemos às leis da natureza e da biologia, isso não implica em determinismo: afinal de contas, a segunda lei da termodinâmica arrasou com o universo reversível de Newton.
Não me considero um filósofo (apesar de já ter flertado com a Filosofia). Contudo, meu exercício de hoje serviu para convencer-me de duas coisas: (1) da necessidade de perder uma tarde para definir ou tentar entender melhor minha postura filosófica; (2) da inutilidade disso para o conhecimento científico. Esclareço: fisicalismo, monismo, anti-essencialismo… são apenas termos que definem mais ou menos onde me situo. Mas não tenho convicções filosóficas e estou disposto a abandonar qualquer um desses termos diante de evidências adequadas. Meu único compromisso é com o conhecimento científico (e, portanto, com a lógica e as evidências).

