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	<title>Claudio Andrés Téllez &#187; Ciência</title>
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		<title>Without fear of the dark</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 01:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio Tellez</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nature is full of fascinating phenomena that we cannot understand, but we can explain. For example, nobody can understand quantum mechanics, but it can be explained beautifully by using the appropriate mathematics. Thus, science can amaze and marvel us all the time, without the unnecessary hypotheses that we insist on introducing due to our emotional fragility or just because we are afraid of the dark.</p>
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		<title>Sem medo do escuro</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 01:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio Tellez</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A natureza está repleta de fenômenos fascinantes que não podemos entender, mas que podemos explicar. Por exemplo, ninguém consegue entender a mecânica quântica, mas ela pode ser belamente explicada usando a matemática apropriada. Assim, a ciência consegue nos surpreender e maravilhar o tempo todo, sem as hipóteses desnecessárias que insistimos em introduzir devido à nossa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A natureza está repleta de fenômenos fascinantes que não podemos entender, mas que podemos explicar. Por exemplo, ninguém consegue entender a mecânica quântica, mas ela pode ser belamente explicada usando a matemática apropriada. Assim, a ciência consegue nos surpreender e maravilhar o tempo todo, sem as hipóteses desnecessárias que insistimos em introduzir devido à nossa fragilidade emocional ou somente por termos medo do escuro.</p>
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		<title>Carta de Amor</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 16:48:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio Tellez</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Érica, meu amor&#8230; Em algum momento, há pouco mais de 3,5 bilhões de anos, nossa história no grande livro da vida começou a ser escrita pelo DNA das primeiras formas animadas que surgiram na Terra. Somos herdeiros daqueles seres pequeninos, unicelulares, que habitavam nos oceanos primordiais. O ambiente era inóspito para nossos padrões atuais: a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Érica, meu amor&#8230; Em algum momento, há pouco mais de 3,5 bilhões de anos, nossa história no grande livro da vida começou a ser escrita pelo DNA das primeiras formas animadas que surgiram na Terra. Somos herdeiros daqueles seres pequeninos, unicelulares, que habitavam nos oceanos primordiais. O ambiente era inóspito para nossos padrões atuais: a Terra era mais quente, o Sol era menos luminoso e a atmosfera quase não possuía oxigênio. O céu não era azulado, como nas belas e amenas tardes de verão em Teresópolis, que tanto amo contemplar com você do meu lado. Deve ter sido alaranjado, com tons de marrom e repleto de espessas nuvens de vapor. Vulcões entravam em erupção o tempo todo e cascatas de lava coloriam a paisagem. Como surgiram esses nossos antepassados tão remotos? No princípio, a atmosfera terrestre estava repleta de metano, amônia, água e hidrogênio, e a energia luminosa do Sol pairava sobre as águas. Somos filhos da luz e do pulso. A energia solar e a pressão provocada pela pulsação de muitas explosões levaram ao aparecimento dos primeiros aminoácidos. Devemos nossas vidas àquela bioquímica primordial, gerada por bilhões e bilhões e bilhões de reações químicas, envoltas por chamas de todas as cores.</p>
<p>Já naquela sopa pré-biótica, os aglomerados orgânicos que eram mais estáveis e eficientes para aproveitar a energia química foram selecionados em um processo constante, dando início aos misteriosos mecanismos da hereditariedade, até chegar aos procariontes, desprovidos de membranas internas, e posteriormente aos eucariontes, dotados de membranas e de mitocôndrias, que hoje acreditamos terem sido bactérias primitivas que passaram do parasitismo conflituoso à cooperação mutualista. Assim, os delicados equilíbrios do conflito e da cooperação estão presentes em nossa história desde os primórdios&#8230; e o fato de gostarmos de estar juntos tem suas origens naquela época tão remota!</p>
<p>Bilhões de anos se passaram dos eucariontes aos primeiros peixes, que surgiram há aproximadamente 500 milhões de anos. E, desde aqueles peixes, que povoavam os mares no Devoniano, até o aparecimento dos mamíferos, que evoluíram a partir dos répteis sinapsídeos, em um processo que levou em torno de 70 milhões de anos, os antepassados que carregavam as partes do nosso DNA conseguiram sobreviver a diversas extinções em massa, a inúmeras catástrofes climáticas e aos ataques de incontáveis predadores. Somos vitoriosos só por estarmos aqui, Érica. Existimos e nos amamos, contra todas as probabilidades! Se estou aqui hoje, querendo sempre cuidar de você, é porque algum antepassado meu, em uma época mais recente (há poucos milhões de anos), talvez tenha dado a própria vida para proteger a sua fêmea e seu filhote. Um gesto que eu não hesitaria em repetir, meu amor. </p>
<p>Após termos nos conhecido, começamos a confiar cada vez mais um no outro. Estarmos juntos estimula nossos núcleos paraventriculares do hipotálamo e é assim que aquele pequeno peptídeo de nove aminoácidos, a oxitocina, inunda os nossos cérebros, fortalecendo cada vez mais a nossa união (além de ser simplesmente delicioso sempre que fazemos, juntos, a nossa concentração plasmática de oxitocina aumentar). Amo você integralmente, Érica. Isso significa que amo cada segmento do seu DNA. Ao invés de fantasiar dizendo que quero entrelaçar nossas almas, prefiro mergulhar na verdadeira poesia da vida e dizer que quero entrelaçar nossos DNAs. Esse meu desejo intenso não vem de alguma fantasia romântica escrita por algum poeta bêbado, mas sim da força incomensurável de mais de 3,5 bilhões de anos de evolução!</p>
<p>Sempre que deito em seu peito, fecho os olhos e escuto as batidas do seu coração, gosto de imaginar como a seleção natural operou durante bilhões de anos para que você tivesse esse músculo tão perfeito, do tamanho do seu punho, contraindo-se de forma tão coordenada e ritmada&#8230; e quando nossos corações aceleram juntos, o amor que eles expressam através de suas pulsações ansiosas é o resultado não somente dessa evolução, mas da pulsação de estrelas que morreram, nos primeiros bilhões de anos deste universo, para que pudéssemos estar aqui. É por isso que, em vez de acreditar que nascemos de um sopro caprichoso sobre um punhado de lama, prefiro imaginar aquelas estrelas, mergulhadas na vastidão do cosmos, que explodiram para fornecer cada elemento que constitui nossos corpos. Sempre que acaricio a sua pele, toco nessas estrelas. Sempre que resvalo meus lábios nos seus, estou beijando a própria história do nosso Universo. </p>
<p>É por isso que te amo não somente agora, Érica. Eu te amo desde sempre. Afinal de contas, contrariando probabilidades muito menores do que ganhar na mega sena todas as semanas com a minha sequência predileta (1 2 3 4 5 6), nós estamos aqui, juntos, construindo nosso amor. Quem há de negar a poesia que existe nessa realidade? Por que as pessoas insistem em dizer que abraçar a ciência, rejeitando a crendice e a superstição, significa despir a vida da magia e do mistério? Talvez seja porque é mais fácil celebrar a ignorância do que dedicar a vida à aventura do conhecimento. É mais fácil aceitar respostas prontas, que satisfazem de forma imediata e irresponsável o anseio humano por fantasias, do que tentar entender por que as coisas são como elas são. Contudo, longe de afastar as pessoas dos mistérios da vida e do Universo, a ciência nos faz penetrar nesses mistérios, perdendo o fôlego quando contemplamos escalas astronômicas. É por isso que fico sem ar sempre que estamos juntos. É por isso, minha amada Érica, que me perco na luz do seu olhar, no calor dos seus beijos, no cheiro da sua pele e no som de cada batida do seu coração. Porque gosto não somente de contemplar, mas também de tentar compreender, com reverência, ao menos um pouco da realidade que tornou possível que estejamos aqui, juntos, compartilhando deste momento infinitesimal na imensidão das eras&#8230;</p>
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